Essa lua

22/06/2010

Que bela é a noite,
Que escolhe deixar ou não o sono brincar de chefe.
E pinta mil possibilidades em suas cores escassas,
Cores de claro e escuro
De preto no branco

Mais que bela essa noite,
Que exige da vida um sopro a mais
E arranca dos corpos um calor a mais
Uma luz que pode brilhar soberana
Uma vida que se encena para as estrelas

Ah! Se essa noite falasse
Diria bonne nuit, buonanotte, good night.
Mas não falaria muito
Porque a noite afinal é silêncio
E bem sabe  guardar seus segredos

Se bem que o sol insistiria,
De claro que é, ávido
Para iluminar os arredores
Animação como a do sol não há conhecida

Faz-se então necessário
O bravo soldado em sentido
Que rouba do sol a clareza
E guarda da noite o sorriso

Eis que ela não é inteira
Faz questão de ser e não ser, mistério
Porque a lua esconde mais do que mostra
A lua é o que faz parecer
É que apaixona

A lua…
Essa sim,
Que bela.

Tragicomédia

03/11/2009

Sendo eu sozinho em mim,
Ver rodar a Terra assim
Traz de cá perguntas vãs

Entender o que se passa
Refletir sobre as maçãs,
Os caçadores e as caças

Desvendar comportamentos
Desviar de artilharias
Catar palavras perdidas

Então eu componho versos,
Debatendo sobre os meus
Seus acessos e reversos
Meus tropeços em seus pés

Pois se ao passar deixo-me um pouco
Recolho os cacos e me vou
Se ao falar morro-me um tanto
Calo-me a boca e ainda vivo

Descubro então verdade vil
Que se eu quiser viver um ato
Faça da vida uma comédia
E no mundo monte meu palco.

Canção em branco

26/06/2009

Diz o que quer
Mas não diz de
Mais ouve
Mais pensa
E sente

O mundo que vem de dentro
Nós, que viemos de dentro
De dentro de corpos
Encefálicos
E abraçamos o mundo

E ouvimos o mundo?
E vê o mundo
A nós?
Como soa simples
Como aparentamos perplexos.

Feitos de ouvidos
Mais que de cordas
Somos bem feitos
Livros reversos
A serem escritos

O mundo orquestra sinfônica
Os outros regentes maestros
E todos músicos natos
E todos instrumentos pálidos
Que ouvem sem vibrar

E vibram sem falar
Cintilando à valsa da vida
E ouvindo… ouvindo
A serem cantados
A cantar

É Vazio…

23/06/2009

O mundo é repleto
De possibilidades
Como é vazio
De que?
Se é vazio…

Repleto, por que?
Porque vive cheio
De que?
De possibilidades, ora essa.
Possibilidades?

Possibilidades, como essa?
Não, como aquela.
Aquela qual?
Aquela que te fugiu, essa você pegou.
Mas e o mundo vazio?

Vazio, por que?
Porque é repleto
De que?
De tudo, ora essa.
De tudo?

O que é tudo?
Tudo o que?
Tudo isso, ora essa
É nada.
Nada?
É vazio, ora essa.

Poema com pressa.

17/06/2009

O relógio passa
O carro
E o tempo
Passa o relógio

Eu, do tempo,
Corro na frente no carro
No tempo,
Carro, que passa,
Que passamos eu o relógio o tempo e o carro

Quando fico eu
O relógio passa com o tempo
Mas fico eu
Sem poder nada ver passar, mais.
Sem poder passar, mais.
Sem poder ficar, mais e mais.
Porque não olhei.
Parei de menos,
Passei demais.

LINE

30/04/2009

 

Sometimes, it's good to CROSS THE LINE.

 

Sometimes, it’s good to CROSS THE LINE.

CAOS

29/04/2009

      A natureza, o universo intrigam os humanos desde que adquirimos capacidade de questionar o mundo ao redor. Desde então, buscamos respostas às nossas perguntas, descobertas que desvendem os maiores mistérios da vida e da morte. Essa busca é o motor das sociedades, impulsiona–as a continuar desenvolvendo as ciências, que, aliás, nasceram justamente para tentar desvendar a natureza e sua relação com o homem.

      A física, por exemplo, juntamente com a matemática, sugere que os números são “a linguagem da natureza”, daí surgem aquelas infindáveis fórmulas para calcular velocidades, alturas, deslocamentos, energias, forças e outras mais denominações para os diversos fenômenos que conhecemos. A física que nos é ensinada no Ensino Médio, porém, sempre “despreza” atrito, resistência do ar, e “outras formas de dispersão de energia”, além de sempre arredondar valores como a aceleração da gravidade, que varia em cada ponto da superfície terrestre.

      A contradição no estudo da Física Mecânica Clássica é sua intenção de definir valores aos fenômenos da natureza, sendo que nem chega perto da capacidade de entendê-los em conjunto. É uma das grandes pretensões e, ao mesmo tempo, frustrações  humanas: Querer ser capaz de definir a natureza.

      Por isso, surgiu, em meados do século XX, um ramo da física mais coerente com a realidade, a Teoria do Caos. Em resumo, essa teoria nos diz que a ordem, que tanto procuramos, vem do caos, que, ao mesmo tempo, possui ordem. Parece bem confuso, mas é relativamente simples. Se, por exemplo, jogássemos várias pedras na água, elas gerariam diferentes ondas, que, em interação, provocariam padrões bastante caóticos e imprevisíveis, porém, ainda comandados pelas condições de ocorrência dos processos.

      A Teoria do Caos mostra que o Determinismo tem fundamento, mas é inatingível na prática. Isso acontece porque os fenômenos da natureza são extremamente sensíveis, e quaisquer modificações insignificantes em seu início podem gerar mudanças enormes no decorrer do processo. O Efeito Borboleta, nome dado a essa observação, é ilustrado pela ideia de que o bater de asas de uma borboleta no Japão poderia provocar uma tempestade nos Estados Unidos. Para determinar com certeza os resultados de uma ação, seria necessário um “super computador”, capaz de calcular as infinitas variáveis envolvidas. Portanto, sua memória e processamento teriam de ser infinitos.

      A conclusão é que, ainda que impulsionem o desenvolvimento da humanidade, os esforços para estabelecer as “Regras do Universo” podem ser inúteis e até meio pretensiosos. Podemos utilizar as ciências em assuntos que nos favoreçam na prática, e aceitar que não podemos calcular a natureza. Talvez o Presidente dos Estados Unidos morreria se eu tivesse tirado 5 no dado ontem. Eu tirei 3, e ele está vivo ainda. Porque a ordem está no caos.